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  07 de Agosto de 2003, 11:58

Crise no bolso, aperto na residência

A crise financeira está mudando a vida de quem mora de aluguel na capital. Para dar algum alívio ao bolso, há famílias dividindo o mesmo teto. Outro fenômeno identificado pelos especialistas: tem muita gente que voltou a morar com os pais ou está na casa de parentes. Acompanhe na reportagem de Janine Borba.
Adevan Rocha está de mudança. Vai morar com a mulher e a filha de dois meses na casa da sogra. A família acha que pagar 383 reais de aluguel por um apartamento de dois quartos, mais 315 de condomínio é jogar dinheiro fora. “Com esse dinheiro, morando três anos com a minha sogra, eu construo uma casa ou dou entrada em um apartamento”, diz ele.
Quem não tem como se livrar do aluguel busca soluções para pelo menos economizar. Casos de duas famílias dividindo o mesmo teto têm se tornado cada vez mais comuns.
A novidade preocupa o setor de imóveis. Marcelo Kavaleski, dono de imobiliária, lembra que a sublocação é quebra de contrato. “A gente nota que isso não é uma situação de má-fé, mas uma realidade que acontece em função da diminuição da renda das pessoas. As pessoas estão migrando para se unirem”, avalia.
Um levantamento do Sindicato da Habitação (Secovi) diz que só na cidade de São Paulo há 75 mil imóveis vagos, dos 300 mil que são administrados pelas imobiliárias. Quarenta por cento dos apartamentos livres são de dois dormitórios. Por causa do condomínio que se equipara ao valor do aluguel, aumentou a oferta e diminuiu a procura. A pesquisa revela ainda que a quantidade de casas alugadas foi maior que a de apartamentos no primeiro semestre. E que a tendência é continuar assim.
A notícia agradou seu Elair Padim, empresário, que ganha a vida alugando as casas que comprou nos últimos 18 anos. Só na zona leste ele tem 60 - e 23 estão vazias. “O mercado não está bom, mas é melhor ter casa do que apartamento”, afirma ele.

 
  08 de Setembro de 2003, 19:33

Inquilinos suspeitos

Um alerta para você que tem um imóvel alugado ou que tem uma casa para alugar. Um novo golpe no mercado imobiliário oferece fiadores e locatários falsos. Ou seja, a pessoa que assina o contrato de locação não é o inquilino que vai morar na sua casa.
Cerca de 1.800 imóveis são alugados por mês em São Paulo, mas 30% das pessoas que procuram uma casa para morar têm o nome no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Até bem pouco tempo atrás isto seria um obstáculo para fazer um contrato de locação.
Mas existe um novo golpe no mercado. Anúncios nos jornais oferecem locatários e fiadores falsos. O proprietário pensa que está alugando para uma pessoa, mas a casa será ocupada por outro morador.

O SPTV ligou para uma dessas agências.

Agência: A senhora precisa de fiador e do locatário, ou só do fiador?

SPTV: Do fiador e do locatário.

Agência: Então a gente cobra R$ 60,00 a ficha. E quando sair o contrato o valor de um aluguel.

SPTV: Todos os documentos que eu vou levar por dono do imóvel são desse locatário.

Agência: Isso.

SPTV: Meu nome não aparece.

Agência: Não.

“Provavelmente esse fiador e o locatário arrumado por esse suposto profissional são (sic) com documentações falsas e esse contrato que vai ser realizado é cercado de vícios”, afirma o delegado Manuel Camassa.
Como a oferta de imóveis para alugar tem sido maior do que a procura, muitas vezes o proprietário fica com a casa ou apartamento seis, oito meses, fechados. Na pressa em conseguir um inquilino, ele acaba sendo prejudicado.
Marcelo Kavaleski conta como a sua imobiliária procura se prevenir dos falsos locatários. “Nós vamos ver chapa do carro quando desconfiamos,vamos atrás do trabalho do locatário, manda alguém lá, do fiador, checamos a escritura. É uma forma inicial de se diagnosticar alguma coisa.” Inquilino falso não costuma pagar o aluguel e a melhor forma de se defender deste crime é verificar os dados do interessado no seu imóvel com a imobiliária. Em caso de dúvida é melhor cancelar o negócio.